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10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil

Lula e Dilma

Ana Maria Costa, Artur Henrique, Bernardo Mançano Fernandes, Dalila Andrade Oliveira, entre outros.

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10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil
  • autor: Ana Maria Costa
    Artur Henrique
    Bernardo Mançano Fernandes
    Dalila Andrade Oliveira
    Eleonora Menicucci de Oliveira
    Emir Sader
    Glauber Piva
    Jorge Mattoso
    Liszt Vieira
    Luiz Gonzaga Belluzzo
    Luiz Pinguelli Rosa
    Marcio Pochmann
    Marco Aurélio Garcia
    Marilena Chaui
    Nelson Barbosa
    Pablo Gentili
    Paulo Vannuchi
    Renato Cader
    Renato Ferreira
    Sergio Machado Rezende
    Tania Bacelar de Araujo
    Venício A. de Lima
  • organizador: Emir Sader
edição:
1
selo:
Boitempo
idioma:
Portuguese
páginas:
382
formato:
23cm x 16cm x 3cm
peso:
511 gr
encadernação:
Brochura
ISBN:
9788575593288

Como avaliar as enormes transformações pelas quais o Brasil passou ao longo da última década? O país foi palco de profundas mudanças desde que elegeu o Partido dos Trabalhadores. Compreender e refletir o seu legado tornou-se uma tarefa incontornável para pensar os rumos do País. Coeditado pela Boitempo e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais sede Brasil (Flacso Brasil), o e-book do livro estará disponível para download gratuito a partir da segunda quinzena de maio.10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil, coletânea organizada pelo sociólogo Emir Sader, contribui para essa difícil empreitada, com reflexões de alguns dos mais destacados pensadores brasileiros, como Marilena Chauí, Marco Aurélio Garcia, Marcio Pochmann, Luiz Gonzaga Belluzzo, José Luis Fiori, Luis Pinguelli Rosa e Paulo Vannuchi.Sader não hesita em expor as tensões em meio às quais se desenvolveu a política econômica do governo, da primeira à segunda - e atual - fase. O resultado é um panorama de 21 ensaios de intelectuais engajados e ativamente envolvidos na política da última década, que discorrem sobre como foram implementadas as políticas sociais - o cerne dos governos Lula e Dilma -, seus enfoques setoriais obrigatoriamente desiguais, seus sucessos e obstáculos até hoje ainda não superados. Além desse amplo espectro de reflexões, o livro conta com uma entrevista inédita com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada em fevereiro de 2013 especialmente para esta coletânea, na qual ele avalia a experiência de governo e faz um balanço das suas realizações e do que não foi possível fazer durante seus dois mandatos. 'A intuição e o pragmatismo de Lula serviram de bússola nesse caminho, com situações às vezes surpreendentes e inesperadas, mas que fizeram com que se concluísse esse período com um balanço claramente positivo', afirma o sociólogo. O livro é considerado por Sader um instrumento de atualização da prática política e de reflexão necessária para a superação definitiva do neoliberalismo no Brasil. A rubrica 'pós-neoliberal' visa dar conta da totalidade das políticas antineoliberais que emergiram no marco das grandes recessões que abalaram a América Latina no final do século XX. A perspectiva essencial é de que o esgotamento do modelo neoliberal não foi sucedido por um modelo alternativo que pudesse substituí-lo em escala global. 'Vivemos e seguiremos vivendo ainda por um tempo prolongado, um período turbulento, nos planos geopolítico e econômico-financeiro, de disputa hegemônica, em que um mundo velho insiste em sobreviver e um mundo novo encontra dificuldades para se afirmar', avalia Sader no ensaio 'A constituição da hegemonia pós-neoliberal'.A década que teve fim em 2002 combinou várias formas de retrocesso. Entre elas, a prioridade do ajuste fiscal, as correspondentes quebras da economia e as cartas de intenção do FMI, que desembocaram na profunda e prolongada recessão que o governo Lula herdou. Os caminhos que os governos Lula e Dilma trilharam e ainda trilham para enfrentar essa herança foram mais complexos e conflituosos do que se poderia esperar. No entanto, Maria Inês Nassif afirma no texto de orelha que, na última década, o Brasil percorreu tão rapidamente caminhos desconhecidos em sua história que ainda não se deu conta de que uma nova geração já perdeu a referência do passado. 'O debate é fundamental para o futuro', assinala. Para Nassif e Sader, o livro é uma proposta para o aprofundamento das discussões sobre os governos Lula e Dilma pela óptica progressista e pela perspectiva da continuidade. 'São 10 anos que servem de pano de fundo para se pensar sobre a herança recebida, as transformações logradas e aquelas não realizadas, com suas razões e consequências, e as projeções do futuro brasileiro', conclui Sader.

Trecho do livro

Fragmentada, perpassada pelo individualismo competitivo, desprovida de um referencial social e econômico sólido e claro, a classe média tende a alimentar o imaginário da ordem e da segurança porque, em decorrência de sua fragmentação e de sua instabilidade, seu imaginário é povoado por um sonho e por um pesadelo: seu sonho é tornar-se parte da classe dominante; seu pesadelo é tornar-se proletária. Para que o sonho se realize e o pesadelo não se concretize, é preciso ordem e segurança. Isso torna a classe média ideologicamente conservadora e reacionária, e seu papel social e político é o de assegurar a hegemonia ideológica da classe dominante, fazendo com que essa ideologia, por intermédio da escola, da religião, dos meios de comunicação, se naturalize e se espalhe pelo todo da sociedade. É sob essa perspectiva que se pode dizer que a classe média é a formadora da opinião social e política conservadora e reacionária.

– Marilena Chaui em “Uma nova classe trabalhadora"